terça-feira, 16 de dezembro de 2014
quinta-feira, 11 de dezembro de 2014
segunda-feira, 8 de dezembro de 2014
Cerebelo, cognição e emoção – por Ana Carolina Mello Perin, Bruna Luíse Trentim e Luana Taiane Dondé
O processamento de informações – motoras e sensoriais – ocorre no córtex cerebelar e a modulação das atividades motoras se dá por meio da codificação de alterações da frequência de descarga de potenciais de ação dos núcleos cerebelares (7). Ainda é importante lembrar que cada parte funcional do cerebelo está associada com um parâmetro da função motora, e dessa forma, possui núcleos cerebelares específicos para essa atuação. Assim, por exemplo, temos que o cerebrocerebelo (ou neocerebelo) está relacionado com o planejamento motor ao passo que o espinocerebelo (ou paleocerebelo) se relaciona com a coordenação e equilíbrio axial (1).
Não há como negar que, tradicionalmente, o cerebelo tem sido encarado como uma área do cérebro envolvida, sobretudo, com o comportamento motor. Nas últimas décadas, no entanto, sugeriu-se que também possa desempenhar um papel nos transtornos neuropsiquiátricos. Assim, percebeu-se o envolvimento do cerebelo em doenças como esquizofrenia, transtorno bipolar, demências neurodegenerativas, déficit de atenção e hiperatividade (ADHD) e depressão (1), de tal forma que começou-se a pensar na dicotomia funcional dessa estrutura: cognitivo versus motor (15).
Ainda não se tem ao certo quais as áreas cerebelares estão envolvidas no processo congnitivo, embora sob o ponto de vista anatômico, certas regiões do cerebelo – tais como o verme, núcleo fastigial e o lobo floculo-nodular – revelam conexões recíprocas com núcleos reticulares do tronco cerebral e regiões do sistema límbico e autônomo, incluindo áreas como o hipotálamo, hipocampo e amígdala, sugerindo a participação do cerebelo no processamento emcional (15).
Nesse contexto, alterações no comportamento e na função cognitiva como no ADHD, por exemplo, têm aparecido em pacientes com lesões cerebelares posteriores, o que aponta para uma relação entre a estrutura anormal do cerebelo e a disfunção noradrenérgica e dopaminérgica apresentada neste transtorno(4). Do mesmo modo, ainda que não se tenha ao certo sobre a influência das modificações do cerebelo no que diz respeito à esquizofrenia, acredita-se que o comprometimento do circuito córtico-cerebelo-tálamo-cortical seja um fator importante para a disfunção motora e cognitiva observada nessa patologia (2). A diminuição de fluxo sanguíneo na área motora do hemisfério esquerdo também é observada. Isso poderia explicar alguns sintomas da doença como dificuldade em coordenar e monitorizar o processo de recepção, processamento, evocação e expressão da informação (8).
Em relação à depressão, foi proposta a sua associação com privação de conexões límbicas cerebelares (15), justificada em lesões do verme (16).
NEUROPSYCHIATRIC PRACTICE AND OPINION | August 01, 2004 Jeremy D. Schmahmann, M.D. Disorders of the Cerebellum: Ataxia, Dysmetria of Thought, and the Cerebellar Cognitive Affective Syndrome The Journal of Neuropsychiatry and Clinical Neurosciences 2004;16:367-378.doi:10.1176/appi.neuropsych.16.3.367
NEUROPSYCHIATRIC PRACTICE AND OPINION | August 01, 2004 Jeremy D. Schmahmann, M.D. Disorders of the Cerebellum: Ataxia, Dysmetria of Thought, and the Cerebellar Cognitive Affective Syndrome The Journal of Neuropsychiatry and Clinical Neurosciences 2004;16:367-378.doi:10.1176/appi.neuropsych.16.3.367
Outra metodologia de estudo empregada buscando a compreensão da disfunção cerebelar relacionada com a depressão, fez uso de técnicas de ressonância eletromagnética em pacientes idosos (8). Como conclusão, o estudo revelou o alargamento dos ventrículos laterais, de sulcos e fissuras, mas, sobretudo, a presença de atrofia cerebelar nos pacientes deprimidos analisados. E mais, foi constatado que essa atrofia é mais acentuada no verme.(9)
Dessa forma, as evidências indicam que o envolvimento do cerebelo nos transtornos afetivos esteja relacionado com a cronicidade e a gravidade dos sintomas, o que talvez possa estar associado a processos neurodegenerativos causados pela própria patologia ou pelo uso crônico de medicações (11).
Está comprovado também que uma diminuição da substância cinzenta do córtex cerebelar esquerdo está presente em doentes com formas de depressão mais severa e com pior resposta à terapêutica (13). Em estudos funcionais, demonstrou-se que indivíduos com depressão maior mostram, diante de estímulos emocionais, uma menor ativação do cerebelo, quando comparados a indivíduos sem a doença. Até mesmo indivíduos com história prévia de depressão, mas já em remissão, exibem uma menor ativação cerebelar, o que sugere uma perturbação permanente e irreversível da função do cerebelo na depressão (12).
Ana Carolina Mello Perin, Bruna Luíse Trentim e Luana Taiane Dondé são graduandas do curso de Medicina/UFGD-XIIIa turma.
Referências Bibliográficas
- BALDACARA, Leonardo et al . Cerebellum and psychiatric disorders. Bras. Psiquiatr., São Paulo, v. 30, n. 3, Sept. 2008.
- Andreasen NC, Pierson R. The Role of the Cerebellum in Schizophrenia. Biol Psychiatry. 2008.
- ROGEL-ORTIZ, Francisco J.. Autismo. Méd. Méx, México, v. 141, n. 2, abr. 2005.
- BALDACARA, Leonardo et al . Cerebellar volume in patients with dementia. Bras. Psiquiatr., São Paulo, v. 33, n. 2, June 2011.
- PASTURA, Giuseppe et al . Advanced techniques in magnetic resonance imaging of the brain in children with ADHD. Neuro-Psiquiatr., São Paulo, v. 69, n. 2a, Apr. 2011.
- SCHIZOPHR, Bull. .Altered Amygdala Connectivity Within the Social Brain in Schizophrenia. Division of Psychiatry, University of Edinburgh, Edinburgh, UK, Jul 12.
- ROGERS Td., MCKIMM,, DICKSON Pe., GOLDOWITZ D., BLAHA C., MITTLETMAN G. Is autism a disease of the cerebellum? An integration of clinical and pre-clinical research. Department of Psychology, The University of Memphis Memphis, TN, USA. 2013 May.
- DUPONT, R.M.; JERNIGAN, T.L.; HEINDEL, W. – Magnetic resonance imaging and mood disorders. Arch Gen Psychiatry 52: 747-55, 1995.
- ESCALONA, P.R.; MACDONALD, W.M.; DORAISWAN, P.M. – Reduction of cerebellar volume in major depression: a controlled MRI study. Manuscript 2000. Deppression 1: 156-8, 1993.
- PILLAY S., YERGEN D., BONELLO C., LAFER B., FAVA M., RENSHAW P. A quantitative magnetic resonance imaging study of cerebral and cerebellar gray matter volume in primary unipolar major depression: relationship to treatment response and clinical severity. Biol Psychiatry 1997;42:79-84.
- STRAKOWST S., WILSON D., TOHEN M., WOODS B., DOUG A., STOLL A. Structural brain abnormalities in first-episode mania. Biol Psychiatry 1993;33:602-9.
- LIU, L.; ZENG L.; LI Y.; MA Q.; BAOJUM L.; SHEN H.; DEWEN H. Altered Cerebellar Functional Connectivity with Intrinsic Connectivity Networks in Adults with Major Depressive Disorder. PLoS ONE;Jun2012, Vol. 7 Issue 6, p1, June 2012.
- GOWENN E., MIALL RC.. The cerebellum and motor dysfunction in neuropsychiatric disorders. Faculty of Life Sciences, University of Manchester, UK, 2007.
- KALIA, M. – Neurobiological basis of depression: an update. Metabolism 54 (5 suppl 1):24-7, 2005.
- STOODLEY J., SCHMAHMANN D. Evidence for topographic organization in the cerebellum of motor control versus cognitive and affective processing. Published online 2010 January 11.
- STOODLEY J., SCHMAHMANN D. Functional topography in the human cerebellum: a meta-analysis of neuroimaging studies. Epub 2008 Sep 16. Department of Neurology, Massachusetts General Hospital and Harvard Medical School, Boston, MA 02114, USA.
- ALALADE , DENNY K., POTTER G., STEFFENS D., WANG L. Altered Cerebellar-Cerebral Functional Connectivity in Geriatric Depression. Published online 2011 May 26.
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segunda-feira, 1 de dezembro de 2014
Características do AH
As crianças com Altas Habilidades não devem apresentar, necessariamente, todas as características abaixo.
(Dados extraídos de MEC 2007 – Quadro 5 – p.44)
1 – Aprende fácil e rapidamente.
2 – É original, imaginativo, criativo, não convencional.
3 – Está sempre bem informado, inclusive em áreas não comuns.
4 – Pensa de forma incomum para resolver problemas.
5 – É persistente, independente, auto-direcionado (faz coisa sem que seja mandado).
6 – Persuasivo, é capaz de influenciar os outros.
7 – Mostra senso comum e pode não tolerar tolices.
8 – Inquisitivo e cético, está sempre curioso sobre o como e o porquê das coisas.
9 - Adapta-se com bastante rapidez a novas situações e a novos ambientes.
10 - É esperto ao fazer coisas com materiais comuns.
11 - Tem muitas habilidades nas artes (música, dança, desenho etc.).
12 – Entende a importância da natureza (tempo, Lua, Sol, estrelas, solo etc.).
13 – Tem vocabulário excepcional, é verbalmente fluente.
14 – Aprende facilmente novas línguas.
15 - Trabalhador independente.
16 – Tem bom julgamento, é lógico.
17 – É flexível e aberto.
18 – Versátil, tem múltiplos interesses, alguns deles acima da idade cronológica.
19 - Mostra sacadas e percepções incomuns.
20 - Demonstra alto nível de sensibilidade e empatia com os outros.
21 - Apresenta excelente senso de humor.
22 – Resiste à rotina e à repetição.
23 – Expressa idéias e reações, freqüentemente de forma argumentativa.
24 - É sensível à verdade e à honra.
No caso de Alto Habilidosos Cognitivos:
1- Vocabulário avançado
2- Perfeccionismo
3- Críticos
4- Contestadores
5- Não gostam de rotina
6- Grande interesse por temas abordados por adultos
7- Facilidade de expressão
8- Desafia professor e colegas
9- Conseguem monopolizar atenção de professor e colegas
10-Preferem geralmente trabalhar de forma individual
Por causa da falta de estímulo recebido em casa e na escola, estas crianças podem apresentar:
1- Baixo rendimento escolar, por falta de interesse nos conteúdos ministrados pelas escola
2- Decepção e frustração por não se sentirem atendidos nem compreendidos.
3- Desinteresse nos estudos.
4- Comportamento inadequado. Muitas vezes confundido com: hiperativos, com crianças com distúrbios comportamentais ou déficit de concentração.
http://apahsd.org.br/caracteristicas-dos-alto-habilidosos/
(Dados extraídos de MEC 2007 – Quadro 5 – p.44)
1 – Aprende fácil e rapidamente.
2 – É original, imaginativo, criativo, não convencional.
3 – Está sempre bem informado, inclusive em áreas não comuns.
4 – Pensa de forma incomum para resolver problemas.
5 – É persistente, independente, auto-direcionado (faz coisa sem que seja mandado).
6 – Persuasivo, é capaz de influenciar os outros.
7 – Mostra senso comum e pode não tolerar tolices.
8 – Inquisitivo e cético, está sempre curioso sobre o como e o porquê das coisas.
9 - Adapta-se com bastante rapidez a novas situações e a novos ambientes.
10 - É esperto ao fazer coisas com materiais comuns.
11 - Tem muitas habilidades nas artes (música, dança, desenho etc.).
12 – Entende a importância da natureza (tempo, Lua, Sol, estrelas, solo etc.).
13 – Tem vocabulário excepcional, é verbalmente fluente.
14 – Aprende facilmente novas línguas.
15 - Trabalhador independente.
16 – Tem bom julgamento, é lógico.
17 – É flexível e aberto.
18 – Versátil, tem múltiplos interesses, alguns deles acima da idade cronológica.
19 - Mostra sacadas e percepções incomuns.
20 - Demonstra alto nível de sensibilidade e empatia com os outros.
21 - Apresenta excelente senso de humor.
22 – Resiste à rotina e à repetição.
23 – Expressa idéias e reações, freqüentemente de forma argumentativa.
24 - É sensível à verdade e à honra.
No caso de Alto Habilidosos Cognitivos:
1- Vocabulário avançado
2- Perfeccionismo
3- Críticos
4- Contestadores
5- Não gostam de rotina
6- Grande interesse por temas abordados por adultos
7- Facilidade de expressão
8- Desafia professor e colegas
9- Conseguem monopolizar atenção de professor e colegas
10-Preferem geralmente trabalhar de forma individual
Por causa da falta de estímulo recebido em casa e na escola, estas crianças podem apresentar:
1- Baixo rendimento escolar, por falta de interesse nos conteúdos ministrados pelas escola
2- Decepção e frustração por não se sentirem atendidos nem compreendidos.
3- Desinteresse nos estudos.
4- Comportamento inadequado. Muitas vezes confundido com: hiperativos, com crianças com distúrbios comportamentais ou déficit de concentração.
http://apahsd.org.br/caracteristicas-dos-alto-habilidosos/
Superdotados também precisam de ajuda educacional
Aquela criança não tem interesse por nenhuma atividade na escola. Aquela outra é superativa e tem um comportamento inadequado. Outra, ainda, não presta atenção em nada… Se você já se viu diante de um desses casos no seu trabalho pela Primeira Infância, talvez tenha tido contato com uma criança superdotada.
Crianças superdotadas ou com altas habilidades existem e não são poucas. Pela falta de conhecimento no assunto, muitos acabam rotulando-as como portadoras de Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), ou ainda, como depressivas, desinteressadas, alheias… Não faltam adjetivos, mas ainda falta um olhar cuidadoso sobre elas.
Felizmente, tem gente pensando no assunto e orientando pais e profissionais envolvidos na rede de proteção de crianças e jovens (Saúde, Educação e Assistência Social).
Em São Paulo, desde 2005, a Associação Paulista para Altas Habilidades/Superdotação (APAHSD) tem se dedicado a esclarecer melhor o assunto, promover políticas públicas de atenção a esse indivíduo, além de mostrar à sociedade quais são os direitos e as necessidades dos superdotados.
Superdotados também precisam de ajuda educacional
Para cumprir seu papel, a APAHSD conta com um time de especialistas, das diversas áreas do conhecimento, e com pais e familiares de pessoas nessa condição, que se dedicam a defender os direitos dos alto habilidosos.
Os pais que acham que seu filho é superdotado podem levá-lo à Associação para uma avaliação criteriosa, que pode confirmar e identificar em quais áreas a criança apresenta altas habilidades. Além de dar apoio à criança e sua família e orientações às escolas, a instituição também oferece cursos de extensão e pós-graduação sobre o tema para educadores e todos os profissionais envolvidos no cuidado e desenvolvimento na infância.
Pais podem frequentar os cursos livres com o objetivo de entender melhor as habilidades de seus filhos para potencializá-las, contribuindo ao desenvolvimento sadio da criança. A sociedade como um todo também tem espaço na Associação, participando de palestras e workshops.
Além de um trabalho direto com os superdotados e suas famílias, a Associação atua para desmistificar o tema, ajudando o superdotado a ter seu lugar na sociedade e desenvolver seu potencial.
A criança superdotada, quando não cuidada devidamente, pode se tornar apática e desmotivada na escola, justamente porque os desafios que lhe são propostos ficam muito aquém de suas habilidades. Os resultados são o baixo rendimento escolar e uma socialização comprometida. Se não compreendida e acolhida, essa criança vivencia um enorme estado de frustração e decepção.
Como o tema é muito importante, a Fundação Maria Cecília Souto Vidigal fez uma parceria com a Associação Paulista para Altas Habilidades/Superdotação para a aquisição de conteúdo sobre o tema, que compartilharemos neste blog para ajudar você no seu trabalho com a Primeira Infância.
Aproveite e acesse o site da Associação para saber mais e conhecer os cursos, palestras e documentos orientadores.
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