quinta-feira, 11 de dezembro de 2014
segunda-feira, 8 de dezembro de 2014
Cerebelo, cognição e emoção – por Ana Carolina Mello Perin, Bruna Luíse Trentim e Luana Taiane Dondé
O processamento de informações – motoras e sensoriais – ocorre no córtex cerebelar e a modulação das atividades motoras se dá por meio da codificação de alterações da frequência de descarga de potenciais de ação dos núcleos cerebelares (7). Ainda é importante lembrar que cada parte funcional do cerebelo está associada com um parâmetro da função motora, e dessa forma, possui núcleos cerebelares específicos para essa atuação. Assim, por exemplo, temos que o cerebrocerebelo (ou neocerebelo) está relacionado com o planejamento motor ao passo que o espinocerebelo (ou paleocerebelo) se relaciona com a coordenação e equilíbrio axial (1).
Não há como negar que, tradicionalmente, o cerebelo tem sido encarado como uma área do cérebro envolvida, sobretudo, com o comportamento motor. Nas últimas décadas, no entanto, sugeriu-se que também possa desempenhar um papel nos transtornos neuropsiquiátricos. Assim, percebeu-se o envolvimento do cerebelo em doenças como esquizofrenia, transtorno bipolar, demências neurodegenerativas, déficit de atenção e hiperatividade (ADHD) e depressão (1), de tal forma que começou-se a pensar na dicotomia funcional dessa estrutura: cognitivo versus motor (15).
Ainda não se tem ao certo quais as áreas cerebelares estão envolvidas no processo congnitivo, embora sob o ponto de vista anatômico, certas regiões do cerebelo – tais como o verme, núcleo fastigial e o lobo floculo-nodular – revelam conexões recíprocas com núcleos reticulares do tronco cerebral e regiões do sistema límbico e autônomo, incluindo áreas como o hipotálamo, hipocampo e amígdala, sugerindo a participação do cerebelo no processamento emcional (15).
Nesse contexto, alterações no comportamento e na função cognitiva como no ADHD, por exemplo, têm aparecido em pacientes com lesões cerebelares posteriores, o que aponta para uma relação entre a estrutura anormal do cerebelo e a disfunção noradrenérgica e dopaminérgica apresentada neste transtorno(4). Do mesmo modo, ainda que não se tenha ao certo sobre a influência das modificações do cerebelo no que diz respeito à esquizofrenia, acredita-se que o comprometimento do circuito córtico-cerebelo-tálamo-cortical seja um fator importante para a disfunção motora e cognitiva observada nessa patologia (2). A diminuição de fluxo sanguíneo na área motora do hemisfério esquerdo também é observada. Isso poderia explicar alguns sintomas da doença como dificuldade em coordenar e monitorizar o processo de recepção, processamento, evocação e expressão da informação (8).
Em relação à depressão, foi proposta a sua associação com privação de conexões límbicas cerebelares (15), justificada em lesões do verme (16).
NEUROPSYCHIATRIC PRACTICE AND OPINION | August 01, 2004 Jeremy D. Schmahmann, M.D. Disorders of the Cerebellum: Ataxia, Dysmetria of Thought, and the Cerebellar Cognitive Affective Syndrome The Journal of Neuropsychiatry and Clinical Neurosciences 2004;16:367-378.doi:10.1176/appi.neuropsych.16.3.367
NEUROPSYCHIATRIC PRACTICE AND OPINION | August 01, 2004 Jeremy D. Schmahmann, M.D. Disorders of the Cerebellum: Ataxia, Dysmetria of Thought, and the Cerebellar Cognitive Affective Syndrome The Journal of Neuropsychiatry and Clinical Neurosciences 2004;16:367-378.doi:10.1176/appi.neuropsych.16.3.367
Outra metodologia de estudo empregada buscando a compreensão da disfunção cerebelar relacionada com a depressão, fez uso de técnicas de ressonância eletromagnética em pacientes idosos (8). Como conclusão, o estudo revelou o alargamento dos ventrículos laterais, de sulcos e fissuras, mas, sobretudo, a presença de atrofia cerebelar nos pacientes deprimidos analisados. E mais, foi constatado que essa atrofia é mais acentuada no verme.(9)
Dessa forma, as evidências indicam que o envolvimento do cerebelo nos transtornos afetivos esteja relacionado com a cronicidade e a gravidade dos sintomas, o que talvez possa estar associado a processos neurodegenerativos causados pela própria patologia ou pelo uso crônico de medicações (11).
Está comprovado também que uma diminuição da substância cinzenta do córtex cerebelar esquerdo está presente em doentes com formas de depressão mais severa e com pior resposta à terapêutica (13). Em estudos funcionais, demonstrou-se que indivíduos com depressão maior mostram, diante de estímulos emocionais, uma menor ativação do cerebelo, quando comparados a indivíduos sem a doença. Até mesmo indivíduos com história prévia de depressão, mas já em remissão, exibem uma menor ativação cerebelar, o que sugere uma perturbação permanente e irreversível da função do cerebelo na depressão (12).
Ana Carolina Mello Perin, Bruna Luíse Trentim e Luana Taiane Dondé são graduandas do curso de Medicina/UFGD-XIIIa turma.
Referências Bibliográficas
- BALDACARA, Leonardo et al . Cerebellum and psychiatric disorders. Bras. Psiquiatr., São Paulo, v. 30, n. 3, Sept. 2008.
- Andreasen NC, Pierson R. The Role of the Cerebellum in Schizophrenia. Biol Psychiatry. 2008.
- ROGEL-ORTIZ, Francisco J.. Autismo. Méd. Méx, México, v. 141, n. 2, abr. 2005.
- BALDACARA, Leonardo et al . Cerebellar volume in patients with dementia. Bras. Psiquiatr., São Paulo, v. 33, n. 2, June 2011.
- PASTURA, Giuseppe et al . Advanced techniques in magnetic resonance imaging of the brain in children with ADHD. Neuro-Psiquiatr., São Paulo, v. 69, n. 2a, Apr. 2011.
- SCHIZOPHR, Bull. .Altered Amygdala Connectivity Within the Social Brain in Schizophrenia. Division of Psychiatry, University of Edinburgh, Edinburgh, UK, Jul 12.
- ROGERS Td., MCKIMM,, DICKSON Pe., GOLDOWITZ D., BLAHA C., MITTLETMAN G. Is autism a disease of the cerebellum? An integration of clinical and pre-clinical research. Department of Psychology, The University of Memphis Memphis, TN, USA. 2013 May.
- DUPONT, R.M.; JERNIGAN, T.L.; HEINDEL, W. – Magnetic resonance imaging and mood disorders. Arch Gen Psychiatry 52: 747-55, 1995.
- ESCALONA, P.R.; MACDONALD, W.M.; DORAISWAN, P.M. – Reduction of cerebellar volume in major depression: a controlled MRI study. Manuscript 2000. Deppression 1: 156-8, 1993.
- PILLAY S., YERGEN D., BONELLO C., LAFER B., FAVA M., RENSHAW P. A quantitative magnetic resonance imaging study of cerebral and cerebellar gray matter volume in primary unipolar major depression: relationship to treatment response and clinical severity. Biol Psychiatry 1997;42:79-84.
- STRAKOWST S., WILSON D., TOHEN M., WOODS B., DOUG A., STOLL A. Structural brain abnormalities in first-episode mania. Biol Psychiatry 1993;33:602-9.
- LIU, L.; ZENG L.; LI Y.; MA Q.; BAOJUM L.; SHEN H.; DEWEN H. Altered Cerebellar Functional Connectivity with Intrinsic Connectivity Networks in Adults with Major Depressive Disorder. PLoS ONE;Jun2012, Vol. 7 Issue 6, p1, June 2012.
- GOWENN E., MIALL RC.. The cerebellum and motor dysfunction in neuropsychiatric disorders. Faculty of Life Sciences, University of Manchester, UK, 2007.
- KALIA, M. – Neurobiological basis of depression: an update. Metabolism 54 (5 suppl 1):24-7, 2005.
- STOODLEY J., SCHMAHMANN D. Evidence for topographic organization in the cerebellum of motor control versus cognitive and affective processing. Published online 2010 January 11.
- STOODLEY J., SCHMAHMANN D. Functional topography in the human cerebellum: a meta-analysis of neuroimaging studies. Epub 2008 Sep 16. Department of Neurology, Massachusetts General Hospital and Harvard Medical School, Boston, MA 02114, USA.
- ALALADE , DENNY K., POTTER G., STEFFENS D., WANG L. Altered Cerebellar-Cerebral Functional Connectivity in Geriatric Depression. Published online 2011 May 26.
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segunda-feira, 1 de dezembro de 2014
Características do AH
As crianças com Altas Habilidades não devem apresentar, necessariamente, todas as características abaixo.
(Dados extraídos de MEC 2007 – Quadro 5 – p.44)
1 – Aprende fácil e rapidamente.
2 – É original, imaginativo, criativo, não convencional.
3 – Está sempre bem informado, inclusive em áreas não comuns.
4 – Pensa de forma incomum para resolver problemas.
5 – É persistente, independente, auto-direcionado (faz coisa sem que seja mandado).
6 – Persuasivo, é capaz de influenciar os outros.
7 – Mostra senso comum e pode não tolerar tolices.
8 – Inquisitivo e cético, está sempre curioso sobre o como e o porquê das coisas.
9 - Adapta-se com bastante rapidez a novas situações e a novos ambientes.
10 - É esperto ao fazer coisas com materiais comuns.
11 - Tem muitas habilidades nas artes (música, dança, desenho etc.).
12 – Entende a importância da natureza (tempo, Lua, Sol, estrelas, solo etc.).
13 – Tem vocabulário excepcional, é verbalmente fluente.
14 – Aprende facilmente novas línguas.
15 - Trabalhador independente.
16 – Tem bom julgamento, é lógico.
17 – É flexível e aberto.
18 – Versátil, tem múltiplos interesses, alguns deles acima da idade cronológica.
19 - Mostra sacadas e percepções incomuns.
20 - Demonstra alto nível de sensibilidade e empatia com os outros.
21 - Apresenta excelente senso de humor.
22 – Resiste à rotina e à repetição.
23 – Expressa idéias e reações, freqüentemente de forma argumentativa.
24 - É sensível à verdade e à honra.
No caso de Alto Habilidosos Cognitivos:
1- Vocabulário avançado
2- Perfeccionismo
3- Críticos
4- Contestadores
5- Não gostam de rotina
6- Grande interesse por temas abordados por adultos
7- Facilidade de expressão
8- Desafia professor e colegas
9- Conseguem monopolizar atenção de professor e colegas
10-Preferem geralmente trabalhar de forma individual
Por causa da falta de estímulo recebido em casa e na escola, estas crianças podem apresentar:
1- Baixo rendimento escolar, por falta de interesse nos conteúdos ministrados pelas escola
2- Decepção e frustração por não se sentirem atendidos nem compreendidos.
3- Desinteresse nos estudos.
4- Comportamento inadequado. Muitas vezes confundido com: hiperativos, com crianças com distúrbios comportamentais ou déficit de concentração.
http://apahsd.org.br/caracteristicas-dos-alto-habilidosos/
(Dados extraídos de MEC 2007 – Quadro 5 – p.44)
1 – Aprende fácil e rapidamente.
2 – É original, imaginativo, criativo, não convencional.
3 – Está sempre bem informado, inclusive em áreas não comuns.
4 – Pensa de forma incomum para resolver problemas.
5 – É persistente, independente, auto-direcionado (faz coisa sem que seja mandado).
6 – Persuasivo, é capaz de influenciar os outros.
7 – Mostra senso comum e pode não tolerar tolices.
8 – Inquisitivo e cético, está sempre curioso sobre o como e o porquê das coisas.
9 - Adapta-se com bastante rapidez a novas situações e a novos ambientes.
10 - É esperto ao fazer coisas com materiais comuns.
11 - Tem muitas habilidades nas artes (música, dança, desenho etc.).
12 – Entende a importância da natureza (tempo, Lua, Sol, estrelas, solo etc.).
13 – Tem vocabulário excepcional, é verbalmente fluente.
14 – Aprende facilmente novas línguas.
15 - Trabalhador independente.
16 – Tem bom julgamento, é lógico.
17 – É flexível e aberto.
18 – Versátil, tem múltiplos interesses, alguns deles acima da idade cronológica.
19 - Mostra sacadas e percepções incomuns.
20 - Demonstra alto nível de sensibilidade e empatia com os outros.
21 - Apresenta excelente senso de humor.
22 – Resiste à rotina e à repetição.
23 – Expressa idéias e reações, freqüentemente de forma argumentativa.
24 - É sensível à verdade e à honra.
No caso de Alto Habilidosos Cognitivos:
1- Vocabulário avançado
2- Perfeccionismo
3- Críticos
4- Contestadores
5- Não gostam de rotina
6- Grande interesse por temas abordados por adultos
7- Facilidade de expressão
8- Desafia professor e colegas
9- Conseguem monopolizar atenção de professor e colegas
10-Preferem geralmente trabalhar de forma individual
Por causa da falta de estímulo recebido em casa e na escola, estas crianças podem apresentar:
1- Baixo rendimento escolar, por falta de interesse nos conteúdos ministrados pelas escola
2- Decepção e frustração por não se sentirem atendidos nem compreendidos.
3- Desinteresse nos estudos.
4- Comportamento inadequado. Muitas vezes confundido com: hiperativos, com crianças com distúrbios comportamentais ou déficit de concentração.
http://apahsd.org.br/caracteristicas-dos-alto-habilidosos/
Superdotados também precisam de ajuda educacional
Aquela criança não tem interesse por nenhuma atividade na escola. Aquela outra é superativa e tem um comportamento inadequado. Outra, ainda, não presta atenção em nada… Se você já se viu diante de um desses casos no seu trabalho pela Primeira Infância, talvez tenha tido contato com uma criança superdotada.
Crianças superdotadas ou com altas habilidades existem e não são poucas. Pela falta de conhecimento no assunto, muitos acabam rotulando-as como portadoras de Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), ou ainda, como depressivas, desinteressadas, alheias… Não faltam adjetivos, mas ainda falta um olhar cuidadoso sobre elas.
Felizmente, tem gente pensando no assunto e orientando pais e profissionais envolvidos na rede de proteção de crianças e jovens (Saúde, Educação e Assistência Social).
Em São Paulo, desde 2005, a Associação Paulista para Altas Habilidades/Superdotação (APAHSD) tem se dedicado a esclarecer melhor o assunto, promover políticas públicas de atenção a esse indivíduo, além de mostrar à sociedade quais são os direitos e as necessidades dos superdotados.
Superdotados também precisam de ajuda educacional
Para cumprir seu papel, a APAHSD conta com um time de especialistas, das diversas áreas do conhecimento, e com pais e familiares de pessoas nessa condição, que se dedicam a defender os direitos dos alto habilidosos.
Os pais que acham que seu filho é superdotado podem levá-lo à Associação para uma avaliação criteriosa, que pode confirmar e identificar em quais áreas a criança apresenta altas habilidades. Além de dar apoio à criança e sua família e orientações às escolas, a instituição também oferece cursos de extensão e pós-graduação sobre o tema para educadores e todos os profissionais envolvidos no cuidado e desenvolvimento na infância.
Pais podem frequentar os cursos livres com o objetivo de entender melhor as habilidades de seus filhos para potencializá-las, contribuindo ao desenvolvimento sadio da criança. A sociedade como um todo também tem espaço na Associação, participando de palestras e workshops.
Além de um trabalho direto com os superdotados e suas famílias, a Associação atua para desmistificar o tema, ajudando o superdotado a ter seu lugar na sociedade e desenvolver seu potencial.
A criança superdotada, quando não cuidada devidamente, pode se tornar apática e desmotivada na escola, justamente porque os desafios que lhe são propostos ficam muito aquém de suas habilidades. Os resultados são o baixo rendimento escolar e uma socialização comprometida. Se não compreendida e acolhida, essa criança vivencia um enorme estado de frustração e decepção.
Como o tema é muito importante, a Fundação Maria Cecília Souto Vidigal fez uma parceria com a Associação Paulista para Altas Habilidades/Superdotação para a aquisição de conteúdo sobre o tema, que compartilharemos neste blog para ajudar você no seu trabalho com a Primeira Infância.
Aproveite e acesse o site da Associação para saber mais e conhecer os cursos, palestras e documentos orientadores.
terça-feira, 18 de novembro de 2014
quarta-feira, 5 de novembro de 2014
Estudante supera dificuldades da dislexia e presta Enem para medicina
Distúrbio dificulta aprendizagem na área da leitura, escrita e soletração.
Jovem de 19 anos passa cerca de 13 horas por dia estudando.
Vítor Santos estuda 13 horas por dia para entrar em medicina (Foto: Jenifer Carpani/G1)
Se a escolha do curso de medicina para o vestibular e o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) assusta os candidatos pelas horas de estudo e preparo antes das provas, para quem se descobre disléxico o caminho pode ser ainda mais tortuoso. Mesmo assim, o jovem Vitor Rossi Santos, de 19 anos, resolveu superar todas as dificuldades colocadas pela dislexia e se tornar um médico. "Toda a minha família trabalha na área da saúde e eu vi que aquilo lá é para mim. É o que eu quero mesmo, e desde pequeno é assim. Quando perguntavam para mim, eu já respondia que queria ser médico", diz.
Para isso, Vitor sabe que terá que enfrentar cada linha que tiver que ler ou escrever neste sábado (8) e domingo (9), quando prestará o Enem em Mogi das Cruzes (SP), cidade onde mora. Além disso, a maratona neste fim de ano inclui mais 10 vestibulares de faculdades particulares, ou seja, mais horas de provas, mais leitura e escrita.
Dislexia
Enunciados grandes, textos compridos e a temida redação assustam ainda mais Vitor por causa da dislexia. Segundo a psicóloga e psicopedagoga Fátima Cavenaghi, quem tem o distúrbio tem dificuldade com a leitura e a escrita. "Dislexia é um distúrbio de aprendizagem na área da leitura, escrita e soletração. Pesquisas realizadas em vários países mostram que cerca de 10% a 15% da população mundial é disléxica", explica.
Vitor foi diagnosticado aos 7 anos, quando descobriu que havia repetido na escola. "Foi quando eu repeti de ano. Eu estava na primeira série e tinha uns 7 anos mais ou menos. Repeti e aí minha mãe foi querer saber o que aconteceu. Ela via que eu estudava, então ela percebeu que tinha algo errado. Foi aí que a gente começou a ir atrás para descobrir o que era", se lembra.
De acordo com a psicopedagoga Fátima, o diagnóstico na infância é fundamental para o aprendizado da pessoa. "Se o disléxico não for submetido a uma intervenção especializada, ele pode se permanecer analfabeto ou semi-analfabeto, sendo excluído de profissões e vocações que necessitem de uma preparação acadêmica", explica.
"Quando eu era menor mesmo, quando a dislexia de fato era grande, eu sofria demais", se lembra Vitor. "A dislexia vai perdendo seu nível, ela não se mantém constante. Por isso quando eu fiz o teste de dislexia, ela era grande. Mas agora ela caiu para leve. E hoje em dia eu ainda tenho um problema com a parte de leitura e tudo mais, mas bem menos que antes", ressalta.
Vitor, no entanto, ainda teme as questões do Enem relacionadas ao português. "Eu tenho muita dificuldade em português principalmente, né? Desde pequeno eu sempre evitei essa matéria. Eu estudava horas com uma professora e no dia seguinte tirava nota baixa. Então era um desânimo absurdo com português e na hora que fui querer aprender, vi que era uma disciplina que eu não tinha nem base", explica.
De acordo com a psicopedagoga, é comum o disléxico ficar frustrado na escola. "O jovem disléxico muitas vezes traz um sentimento construído socialmente de 'não leitor ou não escritor'. O pensamento que geralmente ocorre nessa situação é 'não gosto de escrever, não quero aprender'", diz.
Superação
Mesmo com as dificuldades, Vitor prestou o Enem e alguns vestibulares em 2013 e ficou feliz com o resultado. "Tomara que daqui a alguns dias, no Enem, eu me supere mais uma vez, como aconteceu na redação do ano passado", diz confiante. "Na redação do ano passado do Enem eu fiz 760 pontos, algo que me deixou orgulhoso e deixou meus pais também orgulhosos de mim". Vitor conta que com essa nota conseguiria entrar em geografia em uma faculdade federal do Rio de Janeiro. "Mas não adianta, né? Eu quero medicina. E mesmo se eu conseguir algum outro curso esse ano, também não vou. Vou estudar mais um ano para medicina", afirma.
Estudante diz que hoje lida bem com a dislexia
(Foto: Jenifer Carpani/G1)
O jovem diz que não esquece o caminho que trilhou. "Eu acho assim, eu lutei muito para conseguir. Não é fácil, principalmente quando você é pequeno e não vê resultados nas provas da escola. Você estuda acima do normal e sua nota não é tão boa quanto a das outras pessoas. Só que eu tive muitos apoios e agora estou tendo resultados, né?", diz feliz. Segundo ele, a redação no Enem não foi o único motivo de orgulho da família. "Em uma faculdade no ano passado eu quase consegui entrar para medicina. Foi por pouco, acho que se eu acertasse mais um teste, talvez eu conseguisse entrar também".
Enem
Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (Inep), as pessoas que têm o distúrbio podem pedir uma hora a mais em cada dia de prova, auxílio ledor e auxílio transcritor. O Ministério da Educação (MEC) não tem dados quanto ao número de disléxicos inscritos para o Enem 2014, no entanto, afirmou que cerca de 5,7 mil pessoas pediram o auxílio ledor - mas neste número também estão insclusos outros distúrbios e deficiências.
Vitor preferiu pedir apenas a hora a mais para fazer as provas. "Eu consegui uma horinha a mais nos dois dias para fazer a prova. Nos outros vestibulares que me inscrevi também pedi. Isso é extremamente legal, né? Esse reconhecimento e tudo. Porque uma hora a mais simplesmente ajuda demais", diz. "Eles ofereceram os auxílios ledor e transcritor, mas eu não quis. Prefiro fazer sozinho mesmo por eu já ter treinado assim desde pequeno. É que essa política de poder ler com alguém do lado é muito recente, então eu sempre tive que treinar sozinho", explica.
O estudante conta que tem medo do modelo de prova do Enem. "O Enem é uma prova que eu tenho que te tentar me controlar emocionalmente, porque é uma prova que querendo ou não me assusta muito. Eu acho o Enem difícil para mim por causa da interpretação de texto e da redação. Mas tomara que eu me supere", diz. Apesar de achar que a prova é difícil, Vitor promete se dedicar ao máximo."Eu prestarei o Enem e eu prestarei para medicina. Entrarei com tudo nessa prova e eu acho que posso ter capacidade para conseguir. Por eu ter superado tantas coisas, dá para eu superar mais essa.
Estudo
Vitor reconhece que ainda tem uma grande estrada pela frente e, para alcançar seu objetivo que é entrar em um curso de medicina, estuda 13 horas por dia de segunda a sexta. "A rotina de estudo é pesada, tenho aula do cursinho todo dia e na parte da tarde faço aulas de redação", diz. "Estou há um ano no cursinho pré-vestibular. Os meus estudos começam às 7h no cursinho e terminam em média umas 20h. De sábado vou das 7h às 13h. Só tento tirar o domingo para descansar", explica.
Para conseguir estudar medicina, o jovem abriu mão da academia, do futebol e da balada com os amigos. "Se você quer medicina tem que ser o mais perfeito possível. Qualquer coisa que te atrapalhe vai ter uma consequência na sua nota final", diz. Vitor tem medo de ficar muitos anos nos cursinhos preparatórios. "Tem gente que tenta por muitos anos e isso dá um desespero, né? As vezes eu penso, será que eu vou ficar tentando e tentando. Mas os resultados do ano passado mostram que estou no caminho certo", conclui.
Interpretação de texto e redação no Enem assustam Vitor (Foto: Jenifer Carpani/G1)
Uma das mentoras de Vitor na caminhada é a professora de redação Mônica Arouca, que atende entre os seus estudantes, pessoas com dislexia. "As maiores dificuldades de um disléxico para escrever e ler é a concentração, ortografia, a acentuação e as vezes a organização", explica. Por esse motivo, a professora indica um trabalho em conjunto com vários profissionais. "Para auxiliar no aprendizado e enfrentar o problema, é necessário o estudante fazer um acompanhamento com fonoaudiólogo, psicopedagogo e um professor que trabalhe com sons", explica.
Segundo ela, o aluno disléxico é sinestésico, por isso o tipo de ensino é diferente. "Ele precisa entender o som, sentir a palavra. Quando ele passa o dedo sobre a mesa de estudos e 'desenha' a palavra, ele vai se lembrar como é o certo. Ele precisa sentir, porque o aluno disléxico é sinestésico", explica. Mônica diz que cada aluno tem uma necessidade diferente, mas entre as dicas que ela dá para um disléxico estudar sozinho estão: gravar o que está lendo e depois ouvir; sublinhar as palavras; reescrever textos; fazer esquemas mentais e tentar organizar o pensamento.
A psicopedagoga Fátima Cavenaghi explica também que os pais têm papel importante na formação de filhos com dislexia. "Os pais devem ficar atentos a frustrações, ansiedades, baixo desempenho e desenvolvimento de seus filhos. É deles a responsabilidade de ajudá-los a ter resultados melhores e deve partir deles a procura de profissionais para o acompanhamento. Quanto mais cedo for realizado o diagnóstico e intervenção, maiores serão as possibilidades de sucesso", explica. A psicopedagoga diz, no entanto, que os disléxicos têm um grande potencial. "Apesar de todas as dificuldades descritas anteriormente, o disléxico, diferente de muitos distúrbios de aprendizagem, possuem estatísticamente um QI normal ou acima da média", diz.
Já para Vitor, o maior inimigo do disléxico é a pessoa que usa distúrbio como desculpa. "Estimulo as outras pessoas a não fazerem isso. Não usarem as dificuldades como desculpa para não estudar. Principalmente quando você fica cansado de estudar você pensa que não aguenta mais isso. E aí você pensa coisas negativas. Mas não dá para desanimar, você tem que tentar fazer de tudo e acreditar que é capaz, que você consegue", diz. "Essa é a grande dica. A dislexia é uma barreira que é ultrapassável, dá para passar sim. É só você acreditar e não usar a dislexia para tudo, né?"
http://g1.globo.com/sp/mogi-das-cruzes-suzano/noticia/2014/11/estudante-supera-dificuldades-da-dislexia-e-presta-enem-para-medicina.html
Jovem de 19 anos passa cerca de 13 horas por dia estudando.
Jenifer Carpani Do G1 Mogi das Cruzes e Suzano
Para isso, Vitor sabe que terá que enfrentar cada linha que tiver que ler ou escrever neste sábado (8) e domingo (9), quando prestará o Enem em Mogi das Cruzes (SP), cidade onde mora. Além disso, a maratona neste fim de ano inclui mais 10 vestibulares de faculdades particulares, ou seja, mais horas de provas, mais leitura e escrita.
Dislexia
Enunciados grandes, textos compridos e a temida redação assustam ainda mais Vitor por causa da dislexia. Segundo a psicóloga e psicopedagoga Fátima Cavenaghi, quem tem o distúrbio tem dificuldade com a leitura e a escrita. "Dislexia é um distúrbio de aprendizagem na área da leitura, escrita e soletração. Pesquisas realizadas em vários países mostram que cerca de 10% a 15% da população mundial é disléxica", explica.
Vitor foi diagnosticado aos 7 anos, quando descobriu que havia repetido na escola. "Foi quando eu repeti de ano. Eu estava na primeira série e tinha uns 7 anos mais ou menos. Repeti e aí minha mãe foi querer saber o que aconteceu. Ela via que eu estudava, então ela percebeu que tinha algo errado. Foi aí que a gente começou a ir atrás para descobrir o que era", se lembra.
De acordo com a psicopedagoga Fátima, o diagnóstico na infância é fundamental para o aprendizado da pessoa. "Se o disléxico não for submetido a uma intervenção especializada, ele pode se permanecer analfabeto ou semi-analfabeto, sendo excluído de profissões e vocações que necessitem de uma preparação acadêmica", explica.
"Quando eu era menor mesmo, quando a dislexia de fato era grande, eu sofria demais", se lembra Vitor. "A dislexia vai perdendo seu nível, ela não se mantém constante. Por isso quando eu fiz o teste de dislexia, ela era grande. Mas agora ela caiu para leve. E hoje em dia eu ainda tenho um problema com a parte de leitura e tudo mais, mas bem menos que antes", ressalta.
A dislexia é uma barreira que é ultrapassável. É só você acreditar"
Vitor Rossi Santos
De acordo com a psicopedagoga, é comum o disléxico ficar frustrado na escola. "O jovem disléxico muitas vezes traz um sentimento construído socialmente de 'não leitor ou não escritor'. O pensamento que geralmente ocorre nessa situação é 'não gosto de escrever, não quero aprender'", diz.
Superação
Mesmo com as dificuldades, Vitor prestou o Enem e alguns vestibulares em 2013 e ficou feliz com o resultado. "Tomara que daqui a alguns dias, no Enem, eu me supere mais uma vez, como aconteceu na redação do ano passado", diz confiante. "Na redação do ano passado do Enem eu fiz 760 pontos, algo que me deixou orgulhoso e deixou meus pais também orgulhosos de mim". Vitor conta que com essa nota conseguiria entrar em geografia em uma faculdade federal do Rio de Janeiro. "Mas não adianta, né? Eu quero medicina. E mesmo se eu conseguir algum outro curso esse ano, também não vou. Vou estudar mais um ano para medicina", afirma.
(Foto: Jenifer Carpani/G1)
Enem
Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (Inep), as pessoas que têm o distúrbio podem pedir uma hora a mais em cada dia de prova, auxílio ledor e auxílio transcritor. O Ministério da Educação (MEC) não tem dados quanto ao número de disléxicos inscritos para o Enem 2014, no entanto, afirmou que cerca de 5,7 mil pessoas pediram o auxílio ledor - mas neste número também estão insclusos outros distúrbios e deficiências.
Vitor preferiu pedir apenas a hora a mais para fazer as provas. "Eu consegui uma horinha a mais nos dois dias para fazer a prova. Nos outros vestibulares que me inscrevi também pedi. Isso é extremamente legal, né? Esse reconhecimento e tudo. Porque uma hora a mais simplesmente ajuda demais", diz. "Eles ofereceram os auxílios ledor e transcritor, mas eu não quis. Prefiro fazer sozinho mesmo por eu já ter treinado assim desde pequeno. É que essa política de poder ler com alguém do lado é muito recente, então eu sempre tive que treinar sozinho", explica.
Se o disléxico não for submetido a uma intervenção especializada, ele pode se permanecer analfabeto ou semi-analfabeto"
Fátima Cavenaghi
Estudo
Vitor reconhece que ainda tem uma grande estrada pela frente e, para alcançar seu objetivo que é entrar em um curso de medicina, estuda 13 horas por dia de segunda a sexta. "A rotina de estudo é pesada, tenho aula do cursinho todo dia e na parte da tarde faço aulas de redação", diz. "Estou há um ano no cursinho pré-vestibular. Os meus estudos começam às 7h no cursinho e terminam em média umas 20h. De sábado vou das 7h às 13h. Só tento tirar o domingo para descansar", explica.
Para conseguir estudar medicina, o jovem abriu mão da academia, do futebol e da balada com os amigos. "Se você quer medicina tem que ser o mais perfeito possível. Qualquer coisa que te atrapalhe vai ter uma consequência na sua nota final", diz. Vitor tem medo de ficar muitos anos nos cursinhos preparatórios. "Tem gente que tenta por muitos anos e isso dá um desespero, né? As vezes eu penso, será que eu vou ficar tentando e tentando. Mas os resultados do ano passado mostram que estou no caminho certo", conclui.
Segundo ela, o aluno disléxico é sinestésico, por isso o tipo de ensino é diferente. "Ele precisa entender o som, sentir a palavra. Quando ele passa o dedo sobre a mesa de estudos e 'desenha' a palavra, ele vai se lembrar como é o certo. Ele precisa sentir, porque o aluno disléxico é sinestésico", explica. Mônica diz que cada aluno tem uma necessidade diferente, mas entre as dicas que ela dá para um disléxico estudar sozinho estão: gravar o que está lendo e depois ouvir; sublinhar as palavras; reescrever textos; fazer esquemas mentais e tentar organizar o pensamento.
Estimulo as outras pessoas a não fazerem isso. Não usarem as dificuldades como desculpa para não estudar"
Vitor Rossi Santos
Já para Vitor, o maior inimigo do disléxico é a pessoa que usa distúrbio como desculpa. "Estimulo as outras pessoas a não fazerem isso. Não usarem as dificuldades como desculpa para não estudar. Principalmente quando você fica cansado de estudar você pensa que não aguenta mais isso. E aí você pensa coisas negativas. Mas não dá para desanimar, você tem que tentar fazer de tudo e acreditar que é capaz, que você consegue", diz. "Essa é a grande dica. A dislexia é uma barreira que é ultrapassável, dá para passar sim. É só você acreditar e não usar a dislexia para tudo, né?"
http://g1.globo.com/sp/mogi-das-cruzes-suzano/noticia/2014/11/estudante-supera-dificuldades-da-dislexia-e-presta-enem-para-medicina.html
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