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segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Escola pública promove educação especial inclusiva em João Pessoa

Estudante diz que todo surdo gosta de estudar no Sesquicentenário (Foto: Krystine Carneiro/G1)Estudante diz que todo surdo gosta de estudar no Sesquicentenário (Foto: Krystine Carneiro/G1)
Os alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação da Paraíba estão cada vez mais sendo matriculados em classes comuns, segundo os últimos dados do Censo Escolar do Ministério da Educação (MEC) publicados no Anuário Brasileiro da Educação Básica 2014. A porcentagem subiu de 58,1%, em 2007, para 94,3%, em 2012.
Uma escola que é referência na educação especial inclusiva na Paraíba é o Centro Estadual de Ensino-Aprendizagem Sesquicentenário, em João Pessoa. No local estão matriculados 33 alunos com necessidades especiais, entre eles surdos, cadeirantes e uma estudante com miopatia congênita.

“Cada um tem o seu nível de aprendizado. Os surdos, por exemplo, não conhecem o português. Nosso trabalho é fazer com que haja interesse por leitura, por essa segunda língua, para que eles possam se comunicar com colegas e professores”, explicou uma das professoras da sala de recurso do Sesquicentenário, Wandeylma Viegas.

Segundo a coordenação de Educação Especial da Fundação de Apoio ao Deficiente (Funad), 286 escolas da Paraíba foram contempladas com salas de recursos para apoiar no atendimento educacional especializado, mas algumas ainda estão algumas esperando a chegada dos equipamentos. As salas de recursos dispõem de equipamentos de informática, mobiliários e materiais didáticos e pedagógicos adequados com o objetivo de integrar esse alunos nas escolas públicas regulares.

“Há uma certa barreira de comunicação entre eles e os professores. Por isso, no turno oposto às aulas, a gente passa o conteúdo de sala de aula adaptado à realidade deles. Eles saem com uma bagagem boa na parte de linguística e escrita e alguns surdos até conseguem ler lábios”, comentou Wandeylma.

As provas dos estudantes com necessidades especiais, apesar de tratarem dos mesmos assuntos, são adaptadas. “Eles têm dificuldade de organizar as palavras, os textos. Então, para eles, tudo tem que ser visual. Enquanto as provas dos outros alunos são em preto e branco, as deles são coloridas”, disse.
Sala de recurso tem equipamentos de informática, mobiliários e materiais didáticos e pedagógicos (Foto: Krystine Carneiro/G1)Sala de recurso tem equipamentos de informática,
mobiliários e materiais didáticos e pedagógicos
(Foto: Krystine Carneiro/G1)
“Todo surdo gosta de estudar aqui porque a comunicação é melhor”, declarou um dos alunos, que tem 16 anos e cursa o 7º ano na sala de recurso do Sesquicentenário. “Eles acompanham a turma, mas não como uma criança dita normal. É no tempo deles, no entender deles. Eles estarem em uma sala integrada faz com que eles cresçam cada vez mais. Eles são capazes, só precisam ter a oportunidade”, afirmou a professora.

Os alunos especiais participam de todas as atividades e eventos da escola sem distinção. Segundo Wandeylma, eles também recebem o mesmo tratamento dos outros alunos. “Se bagunçam na sala, também levam reclamação. Se esquecem o caderno, levam castigo. Não podemos tratar como coitadinho”, justificou.

A universalização do atendimento é um dos componentes da meta do Plano Nacional de Educação (PNE) para a Educação Especial. De acordo com o Anuário Brasileiro da Educação Básica 2014, em 2012 havia 15.211 estudantes especiais matriculados na Paraíba, sendo que 14.342 estavam em classes comuns, 115 em classes especiais e 754 em escolas especializadas.
Escola tem rampas em corredores e banheiros para garantir acessibilidade (Foto: Krystine Carneiro/G1)Escola tem rampas em corredores e banheiros
para garantir acessibilidade
(Foto: Krystine Carneiro/G1)
Apesar da escola não ser especializada, ela garante a acessibilidade para quem precisa. A estrutura do local conta com rampas em locais como banheiros e corredores e as portas são largas para permitir o acesso de cadeirantes. “A escola é uma ferramenta totalmente adaptada para eles. Não tem um lugar que eles não possam ir”, garantiu a professora.

Integração
A inclusão dos alunos especiais não beneficia apenas eles mesmos. Os estudantes ditos “normais” aprendem a conviver com a diferença e são capacitados para se comunicar com os surdos, por exemplo. Aulas de Libras estão no currículo das classes do 1º ao 5º ano do ensino fundamental.

“A convivência dos ditos ‘normais’ com os especiais é muito proveitosa para o desenvolvimento do ser humano. A gente consegue ver o zelo, o carinho e a preocupação que eles têm pelos colegas especiais. Isso influencia positivamente o desenvolvimento do cidadão que a gente está pensando em formar”, pontuou a coordenadora do ensino fundamental I, Célia Marques.
G1

sábado, 16 de agosto de 2014

DISLEXIA E CIDADANIA

 
Davi é um bonito rapazinho, inteligente e talentoso. É um estudante do segundo grau de uma escola americana. Sempre recebeu prêmios nacionais por seus trabalhos em arte e foi o editor artístico do livro anual de sua escola. Joga basquete e toca guitarra com um grupo de sua cidade. Mas Davi tem um sério problema. Ele não consegue aprender a ler:

 - Conheço todos os ridículos sons; olho todas aquelas letras sobre a página e sei que outras pessoas podem combiná-las, formando palavras. Mas, para mim, aquelas letras não formam nenhum sentido...

José também é jovem, alto e bonito. Ele é extremamente introvertido, mas se comunica intensamente através de seu olhar penetrante e indagador. José tem habilidades com o computador, com os aparelhos eletrônicos, com trabalhos manuais em madeira e com a matemática em cálculos concretos, como no controle de contas bancárias, de porcentagem e juros. Sua linguagem verbal é clara e lógica e ele decodifica plenamente a linguagem receptiva. José tem boa orientação espacial e é excelente motorista.

Mas José também tem um sério problema de aprendizado. E, coincidentemente, utiliza-se de expressão semelhante àquela usada por Davi, para descrever suas dificuldades:

- Não consigo aprender lendo; é como se as palavras não tivessem sentido. Mas existe uma grande diferença entre Davi e José; um é americano e o outro é brasileiro.

Davi foi devidamente diagnosticado como disléxico e informado acerca de suas dificuldades e facilidades de aprendizado; recebeu assistência neuropsicopedagógica em seu aprendizado diferencial; foi respeitado como pessoa e valorizado em suas capacidades, com sua adaptação escolar sendo completada por um programa individualizado de aprendizado.

A escola de Davi também informou à sua família sobre os problemas de aprendizado dele.

Como resposta, Davi veio desenvolvendo um aprendizado compensatório, tendo-lhe sido proporcionada a possibilidade de integrar-se à escola e à sociedade, de vir desenvolvendo seu potencial e de compreender suas próprias dificuldades, além de poder ser compreendido, também, por sua família.

 José, porém, é vítima de outra condição: a desinformação da escola e da sociedade brasileiras, geradora do preconceito e da inadequação escolar e social.

O histórico de José é profundamente constrangedor para um país tão grandioso como o nosso, cuja estrutura social foi capaz de ter-lhe subtraído o sagrado direito à cidadania. Ele só tem deveres para com a sociedade, mas seus direitos não constam em nenhuma de nossas leis. Sequer existe a figura jurídica do disléxico.

José tem algumas dificuldades com a sua linguagem corporal, muita dificuldade com sua motricidade fina, invertendo letras e números, em sua acentuada dificuldade com a escrita manual. É muito mais fácil, para José, escrever com a máquina datilográfica ou com o computador.

Por suas dificuldades e porque foram ignoradas suas necessidades pedagógicas diferenciais, ele foi tratado, pela escola, como um proscrito: ridicularizado e ofendido com rótulos pejorativos, até por professores, que a ele assim se referiam mesmo em dias em que José estava ausente da sala de aula. Houve a permissividade, por omissão de atitude, que ele fosse ofendido verbal e até fisicamente por colegas, dois dos quais chegaram a rasgar seu tênis de couro, quando ele apenas tinha nove anos de idade. E quando sua mãe procurou o serviço de orientação psicopedagógica da escola para conversar sobre o ocorrido, foi obrigada a ouvir a seguinte advertência: “Por favor, a Senhora pare de vir até aqui reclamar. Dessa maneira, está criando um delinquente!”.

Outro sério problema associado à dislexia de José é sua hiperatividade. Porque ele não consegue permanecer sentado por muito tempo, por um impulso compulsivo de movimento, foi “convidado” a retirar-se de escolas particulares que frequentava.

Aos 18 anos de idade, José já esgotara sua opção de escola. E o chamado exame vestibular apresentou-se como um obstáculo intransponível, pela desinformação acerca do que é a dislexia e da correta relação dificuldades e habilidades de aprendizado da pessoa disléxica.

Décio, irmão de Fábio, sempre teve a aparência de um jovenzinho normal do final da década doa anos 70. Mas ele tinha uma dificuldade de aprendizado oculta que, àquela época, tomava um aspecto ainda mais misterioso e assustador, pela absoluta desinformação de sua realidade, em nossas escolas.

Décio trocava, omitia e invertia letras, às vezes sílabas, ao escrever. Porém era muito inteligente, ativo e dominava matemática facilmente. Tinha prazer em ler livros policiais ou de espionagem, uma memória de longo prazo muito boa e uma mente arguta lógica e lúcida. Sua dislexia poderia ser classificada como em nível médio-leve.

O pai de Décio era inflexível em exigir-lhe desempenho escolar-nota, expectativa a que ele não podia corresponder, já que a escola técnica que frequentava não considerava sua dislexia.

Paralelamente, essa escola técnica em que Décio era aluno de segundo grau também era inflexível na exigência de correção ortográfica, sendo frequentes as advertências e reprovações por causa de uma dificuldade que ele não tinha como superar sem assistência especializada. Procedimento com que a escola inviabiliza a permanência do aluno disléxico em sala de aula que, depois de reprovado repetidas vezes, passa a somar o coeficiente da chamada “evasão escolar”. Mas, na realidade, como afirmou o educador brasileiro Paulo Freire, “esses alunos não se evadem da escola; eles são impelidos a abandonar a escola”.

No caso de Décio, ele teve a sorte de, aos 17 anos, poder estudar em uma escola americana, onde lhe foi dada a chance de desenvolver seu potencial. A oportunidade que lhe foi subtraída pela escola brasileira através da reprovação repetida foi-lhe concedida em escola americana, onde ele foi compreendido em sua incapacidade de escrever corretamente e valorizadas suas incontestes habilidades. Décio foi avaliado e recebeu aprovação que lhe permitiu concluir rapidamente o segundo grau.

Ao despedirmo-nos dele, quando de volta com Fábio para o Brasil, estabelecemos o seguinte diálogo:

-Décio, por suas habilidades, estou segura de que se você escolher engenharia mecânica ou a área de informática para concluir seus estudos irá sair-se muito bem. -

 Quem..., e...e...eu? ...mãe?! - Sim, você, Décio. Porque você é muito inteligente, tem um excelente nível de conhecimento, é muito bom em matemática, hábil em compreender o mecanismo de máquinas em consertá-las. E tem um acurado senso lógico e de discriminação e memória associativa, qualidades importantes no desempenho desse tipo de trabalho.

Passados alguns anos, Décio mencionava em nossa conversa: ”Mãe, você lembra aquela conversa que tivemos, quando você voltou para o Brasil? Ela foi decisiva em minha vida”.

 Hoje Décio tem 39 anos, é cidadão americano, formou-se em Informática, é casado com uma americana, tem quatro filhos e trabalha para uma empresa em São Francisco (CA), tendo trabalhado em sua matriz no Japão, como também em sucursal da Europa. Também já esteve no Brasil, quando veio instalar um sistema de informática voltado ao Mercosul. O presidente de sua companhia chegou a cruzar os Estados Unidos de costa a costa, especialmente para conhecê-lo e homenageá-lo. Porque, afirmou, “Décio se fez herói” ao ter criado um programa de informática que trouxe milhões de dólares de lucro para a sua empresa. Programa usado em diversas cidades americanas em que a companhia tem filiais.

 Fábio não teve a mesma sorte de seu irmão Décio. Ele morou nos USA durante 18 meses, depois do que voltamos ao Brasil, pelas complicações com sua saúde e por toda uma circunstância daquele momento. Também porque há implicações difíceis de serem equacionadas quando se é estrangeiro em um país de Primeiro Mundo. Como, por exemplo, pela sensação de desconforto quando não nos sentimos coparticipantes do processo dinâmico da nação o pela falta prática da necessária assistência através de um programa de saúde.

Mas nada é pior do que ser brasileiro, morar em seu próprio país e ser disléxico. Porque essa condição pode levar a perdas irreparáveis culminando em uma total impotência frente às leis de seu próprio país, que não dispõe de estrutura para garantir-lhe direitos sociais básicos. E, assim, acaba por solapar seu direito à própria cidadania.

Foi o pior erro para a vida de Fábio termos voltado dos Estados Unidos. Mas também voltamos porque desconhecíamos, àquela época, o que era dislexia e quais as implicações que envolviam ser disléxico no Brasil.

Porém, a permanência de Fábio nos USA foi importante pelo reforço psicológico que ele recebeu em sua escola americana e que lhe deu suporte no enfrentamento da luta desigual a que foi submetido em seu próprio país.

Desse apoio decisivo que Fábio recebeu na América, destacam-se dois fatos: o primeiro foi canalizado pela atitude humana e profissional de sua professora americana, Mrs. Sara, que potencializou a força de sua influência com a intervenção abaixo descrita.

Em vésperas de Fábio voltar ao Brasil Mrs. Sara sentou-se a seu lado e passou a dizer-lhe o seguinte:

- Você está voltando para o Brasil. Lá, a escola não vai entender o seu problema. Por isso, muitas vezes vão dizer coisas horríveis a seu respeito. Vão dizer que você é “preguiçoso”, “estúpido” ou “retardado”. É importante que você saiba que não é nada disso que podem falar de você; que todas essas coisas horríveis que possam dizer a seu respeito, por causa de suas dificuldades de aprendizado, não são verdadeiras. É muito importante que você saiba o que agora vou lhe dizer e que guarde tudo muito bem em sua memória, porque vai precisar lembrar-se disso muitas vezes em sua vida: você é um bom menino e muito inteligente, mas porque você é disléxico, vai precisar, sempre, de um tempo mais longo do que outras crianças precisam para aprender. Mas como você é determinado e tem uma excelente memória longa, sejam quais forem as suas dificuldades, você vai vencer.

Mrs. Sara sabia o que estava falando. Porém, jamais poderia imaginar que Fábio acabaria por ser expulso de sua escola brasileira por ser disléxico.

O segundo fato, decisivamente positivo na estruturação do amadurecimento psicológico de Fábio, foi a atuação do psicólogo escolar americano, em sua emocionante postura humana, ao transmitir-lhe as conclusões diagnósticas referentes às suas dificuldades de aprendizado. Experiência vívida e tocante, descrita anteriormente em seus detalhes.



Extraído do Livro: Dislexia. Você sabe o que é? Inteligente... Mas aprende diferente! De autoria de Zeneida Bittencourt Luczynski.
http://www.associacaoinspirare.com.br/pt/site_extras_detalhes.asp?id_tb_extras=5115

Transtornos Funcionais Específicos

 
São as dificuldades específicas de aprendizagem, que interferem no rendimento escolar do aluno e englobam também outros transtornos, como por exemplo:

*Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade - TDAH
*Dislexia;
*Dislalia;
*Disgrafia;
*Discalculia;
*Disortografia;
*Transtorno de Conduta;
*Distúrbio do Processamento Auditivo Central – DPAC;
*Distúrbio especifico de linguagem – DEL.

Para driblar essas dificuldades, serão necessários ter em mãos alguns recursos, como mudanças no ensino, como adaptações curriculares e didáticas, como variados métodos pedagógicos utilizados, como materiais especializados e adaptados, pelo fato desse aluno, dessa criança, ter um distúrbio, ou seja ,“... uma disfunção do sistema nervoso central, portanto um problema neurológico relacionado a falha aquisição, processamento ou, ainda, no armazenamento da informação, envolvendo áreas e circuitos neuronais específicos, em determinado momento do desenvolvimento” (Ciasca, 2006).

Para saber se existe ou não o transtorno, é necessário procurar orientações, auxílio especializado para fazer exames e testes que possam nortear os caminhos e os processos necessários para fechar um diagnóstico com uma equipe multidisciplinar, geralmente encabeçada por um neurologista. Gera-se um laudo, onde estariam registrado as maiores dificuldades e em quais áreas específicas se enquadram o distúrbio.

 


quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Afinal, o que é a dislexia?Livro: O DOM DA DISLEXIA

Livro: O DOM DA DISLEXIA





Livro: O DOM DA DISLEXIA
O que têm em comum cientistas como Einstein e Darwin; artistas e escritores como Picasso, Leonardo da Vinci e Agatha Christie, um político como Churchill e o general Patton? A essa lista de famosos com um talento especial, porém ainda não reconhecido como tal, podem ser acrescentados John Lennon, Harrison Ford, o jogador de basquete Magic Johnson e empresários como Henry Ford e Ted Turner, o todo-poderoso das comunicações, que criou a primeira rede de TV all news do planeta, a CNN. Além de serem mundialmente famosos, todos são disléxicos. A lista, que inclui vários outros nomes, como o do ator Tom Cruise (que já falou publicamente sobre o problema) está no livro O dom da dislexia – Por que algumas das pessoas mais brilhantes não conseguem ler e como podem aprender", de Ronald D. Davis (com a colaboração de Eldon M. Braun), que a Editora Rocco publica sob o selo Pais, Tais & Profissionais.
Ronald Davis, ele próprio um disléxico, relata no prefácio uma marcante experiência de sua vida. Em 1949, aos 7 anos de idade, estava mais uma vez de castigo no canto da sala de aula, com um lenço branco dobrado sobre sua cabeça, seu "rótulo de demérito". Envergonhado, sem coragem de mover-se para ir ao banheiro, acaba molhando as calças. Tenso, apavorado com a possibilidade de ouvir os meninos gritarem "O retardado fez xixi na calça de novo!", ele permaneceu imóvel até que o sinal tocasse e a sala ficasse vazia. Ainda sem coragem de se mover, ele sussurrou uma prece e então o professor que o havia posto lá o obriga a falar em voz alta o que está dizendo. "Eu pedi para Deus não me fazer sentar no canto nunca mais"
Davis só sentiu que havia finalmente deixado o canto e o castigo muitos anos depois, quando milhares de disléxicos como ele já haviam passado pelo Reading Research Council, um dos programas do Ron Davis´s Research Council. "O tom coloquial com que é escrito promove uma leitura que flui rapidamente. Aparentemente simples e fácil, o livro engana. Na verdade, trata-se de um livro denso: traz muita informação e, principalmente, muita inovação", afirma a psicoterapeuta Ana Lima, que assina o prefácio à edição brasileira. Por isso, é indicado não apenas para os professores e outros profissionais que lidam com o assunto, mas também para os pais que buscam mais informação.
A maior parte das pessoas que conhece o termo "dislexia" o associa a um transtorno de aprendizado que impede os portadores de lerem e compreenderem aquilo que estão lendo e também de escrever apropriadamente. Um distúrbio da leitura e da escrita. O autor mostra, em 34 capítulos divididos em quatro grandes blocos — "O que é realmente a dislexia", "O pequeno D.P. – uma teoria de desenvolvimento da dislexia", "O dom" e "Fazendo algo a respeito" — que, para início de conversa, a leitura e a escrita não são as únicas situações em que os sintomas da dislexia aparecem. E, numa visão que representa um giro de 180 graus em relação às abordagens tradicionais, pródigas em diagnósticos e técnicas paliativas, mas carentes de propostas de solução do problema, mostra que o disléxico, com sua extraordinária habilidade de pensar principalmente em imagens, precisa ter esse dom desenvolvido e não controlado ou reprimido com métodos que cerceiam sua incrível criatividade, como faz a educação tradicional do Ocidente.
No glossário ao final do livro, dislexia é definida como "um tipo de desorientação causada por uma habilidade cognitiva natural que pode substituir percepções sensoriais normais por conceituações; dificuldades com leitura, escrita, fala e direção, que se originam de desorientações desencadeadas por confusões com relação aos símbolos. A dislexia se origina de um talento perceptivo"
Davis mostra que problemas na escola com leitura, escrita, ortografia e matemática, ou ainda troca de letras e palavras, ou lentidão na aprendizagem, são apenas um aspecto da dislexia. "Uma vez, quando fui convidado para uma entrevista na televisão, perguntaram-me pelo ‘lado positivo’ da dislexia. Como parte da resposta, relacionei cerca de uma dúzia de disléxicos famosos. A entrevistadora então comentou: ‘Não é surpreendente que todas essas pessoas tenham sido gênios, apesar de serem disléxicos?’ Ela não percebeu o x da questão. A genialidade deles não ocorreu apesar da dislexia mas por causa dela!
O autor lembra que a palavra dislexia foi o primeiro termo usado genericamente para designar vários problemas de aprendizagem, e por isso ele a classifica de "a mãe do todos os transtornos de aprendizagem". Desde o início do século passado, os pesquisadores apresentaram várias teorias para explicá-la, como algum tipo de lesão cerebral ou nervosa ou ainda uma disfunção congênita. Mas já são mais de 70 os nomes utilizados para descrever seus diferentes aspectos. O fato é que a maioria das teorias foi formulada para explicar sintomas ou características da dislexia, e por que o transtorno ocorreu. A novidade que Davis propõe é a correção da dislexia.
Para Davis, a orientação — compreendida como a capacidade de ver, ouvir ou sentir o mundo exterior a partir de um ponto de vista que faz sentido para a pessoa — é fundamental. Por essa razão ele propõe que as palavras que causam problemas para os disléxicos — que ele chama de palavras-gatilho —, que têm significados e, freqüentemente, vários sentidos diferentes, além de serem comuns na linguagem escrita e falada do dia-a-dia, sejam listadas e trabalhadas com os disléxicos.
Além de dedicar capítulos especialmente aos problemas enfrentados pelos disléxicos com a matemática e a escrita, que tanto preocupam os pais, Davis aborda o Transtorno de Déficit de Atenção (TDA). Ele faz uma dura crítica à freqüência com que escolas vêm utilizando essas palavras para definir um transtorno de aprendizagem, quando, na verdade, se trata de problemas distintos.
"Na maioria dos casos, não se deveria falar em transtorno de aprendizagem, mas em transtorno de ensino. Existe um transtorno médico genuíno chamado TDA que impede a pessoa de manter a atenção. (...) Atualmente, muitos estudantes que não conseguem manter a atenção fixa por muito tempo numa tarefa estão sendo diagnosticados como portadores de TDA. Diz-se a seu respeito que se ‘distraem facilmente’. Levam sua atenção a outras coisas no ambiente em vez de se manterem ligados no que o professor determinou. Às vezes, o problema da TDA é acompanhado de uma segunda condição, a hiperatividade. Ambas têm suas raízes nas diferenças do desenvolvimento das crianças disléxicas durante a primeira infância." Davis sustenta que é natural e fácil para as crianças disléxicas prestar atenção, o difícil para elas é se concentrar. E que, "geralmente, são os disléxicos que são rotulados com a etiqueta hiper por causa dos efeitos físicos da desorientação. Os estudantes, em sua maioria, simplesmente ficam entediados e lutam para permanecer acordados quando estão desinteressados ou confusos. Os disléxicos se tornam também desorientados"
E o autor dá uma alfinetada na porção de culpa das escolas. "Aprender a ficar orientado elimina os sintomas de desorientação, mas nunca tornará um estudante interessado numa matéria que está sendo dada pobremente. É interessante notar que professores muito bons raramente parecem ter estudantes que sofrem de TDA em suas classes, apesar de alguns destes mesmos estudantes serem tachados de portadores de TDA em outras classes.
O livro O dom da dislexia – Por que algumas das pessoas mais brilhantes não conseguem ler e como podem aprender foi impresso com uma fonte maior do que o habitual e com cuidado de só permitir o aparecimento de palavras divididas no fim de uma linha quando não houvesse alternativa. Isso para fazer com que a leitura do livro se torne mais agradável para algum possível disléxico que desejar lê-lo. Além disso, o livro apresenta uma série de exercícios das técnicas criadas pelo autor para ajudar os disléxicos a desenvolverem seu dom.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

PROCESSAMENTO AUDITIVO CENTRAL: Você sabe o que é?ATENÇÃO PAIS E PROFESSORES!


Muitas vezes a causa de notas baixas ou a falta de atenção das crianças podem estar relacionadas ao Processamento Auditivo Central....

Entende-se por Processamento Auditivo Central (PAC) conjunto de processos e mecanismos que ocorre dentro do Sistema Auditivo (cérebro) em resposta ao som recebido. A estes processos e mecanismos ocorridos damos o nome de habilidades auditivas.

Na Desordem do Processamento Auditivo podem-se apresentar algumas manifestações comportamentais que podem ser:

- atenção ao som prejudicada;
- dificuldade em escutar e compreender em ambientes ruidosos;
- problemas de produção de fala envolvendo alguns fonemas como /l/, /r/, /s/ e / x /;
- distração, agitação, hiperatividade ou timidez (muito quietos);

O Diagnóstico é feito através de exames audiológicos e o tratamento é através de terapia fonoaudiológica.
Consulte um FONOAUDIÓLOGO e entendam mais sobre esse assunto bem comum em idade escolar.

Acessem, curtam e compartilhem: https://www.facebook.com/DiaDiaFonoaudiologia
Ver mais — com Jairo Germano Nascimento e Lidia Chenna.
1ª turma de Consciência Fonológica de Lorena

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Lista de atividades para desenvolver as habilidades cognitivas nas crianças

Escrito por rebeca renata | Traduzido por randhal wendel

Lista de atividades para desenvolver as habilidades cognitivas nas crianças
Desenvolva as atividades cognitivas dos seus filhos através de atividades motivadoras
Creatas Images/Creatas/Getty Images

O desenvolvimento cognitivo inclui as maneiras como as crianças resolvem problemas e aprendem. Uma criança desenvolve sua inteligência e aprende sobre seu ambiente à medida em que se desenvolve cognitivamente. A memória, a concentração, a atenção, a percepção, a imaginação e a criatividade são todos componentes fundamentais do desenvolvimento cognitivo. As crianças precisam conhecer marcos de desenvolvimento cognitivo específicos. Certas atividades podem motivar esses tipos de habilidades cognitivas nas crianças.

 Leitura

As competências linguísticas fazem parte do desenvolvimento cognitivo. As atividades de leitura são cruciais para ajudar as crianças a desenvolverem essas habilidades. A leitura ajuda a construir o vocabulário e aumenta a habilidade verbal. Os pais podem estimular essas habilidades lendo para seus filhos desde pequenos. À medida que as crianças crescem, os pais podem continuar lendo para e com elas, encorajando-as a ler em voz alta à medida que suas habilidades se desenvolvem. Interagir através de livros pode promover habilidades verbais, bem como o desenvolvimento visual.

Memória

Quebra-cabeças e jogos de classificação são atividades que promovem a concentração e a memória. Os quebra-cabeças podem ser os tradicionais, feitos para todos os níveis de idade e habilidade. Os brinquedos baseados na construção civil, como Lincoln Logs e blocos, também podem melhorar a memória e a concentração. Para as crianças menores, os jogos da memória podem ajudar a promover a memória. Por exemplo, com pares de cartas misturados e virados de cabeça para baixo, a criança pode virar as cartas e tentar lembrar os lugares das cartas e encontrar os pares.

Matemática

As habilidades matemáticas também fazem parte do desenvolvimento cognitivo. Os pais podem estimular seu desenvolvimento falando sobre números com as crianças, enquanto fazem as atividades cotidianas. Quando os pais conversam com seus filhos sobre números desde pequenos, elas se sairão melhor em matemática quando entrarem na escola. Os pais podem desenvolver atividades simples, como itens de contagem. Por exemplo, ao fazer compras, um pai pode contar o número de compras no carrinho, junto com a criança. Os pais também podem incentivar a matemática através de jogos e quebra-cabeças focados em números. Ler livros baseados em matemática, que incluam números e contagem, também pode ajudar.

Criatividade

A arte e a música também podem ajudar a estimular o desenvolvimento cognitivo. As atividades criativas podem ajudar com muitos tipos de aprendizagem e também a construir conexões importantes no cérebro. Por exemplo, aprender música pode aumentar a memória e as habilidades de leitura. O uso de canções e rimas também podem ajudar com as competências linguísticas. As atividades baseadas em músicas e canções são frequentemente populares com crianças, e os pais podem desenvolver essas atividades de muitas maneiras. À medida que as crianças crescem, os pais podem incentivá-las a aprender um instrumento musical. Isso ajuda a desenvolver as habilidades de memória e a matemática

Jogos que ensinam as crianças a socializar


Adquirir habilidades sociais é parte essencial da educação de uma criança. Ao utilizar tempo em sala de aula para realizar atividades que encorajem e desenvolvam as habilidades de socialização, educadores podem oferecer a seus alunos a oportunidade de aprenderem adequadamente essas habilidades de interação. Com um pouco de criatividade, jogos de socialização podem se adequar a todas as idades e situações pedagógicas.

 

Crianças pequenas

Para crianças em idade pré-escolar, as primeiras atividades de socialização incluem apresentações, ter paciência e compreender expressões faciais. Alguns jogos para realizar em sala de aula são como, por exemplo, "faça o que seu mestre mandar", "diga seu nome" e "que careta estou fazendo?". O jogo "diga seu nome" consiste em pedir às crianças para sentarem-se em círculo e passar uma bola entre elas. Quem terminar com a bola, deve levantar-se e apresentar-se aos demais. Para ensiná-las um pouco sobre paciência e confiança, faça com que joguem "siga o líder", pois, como todas as crianças terão a chance de liderar, poderão praticar liderança. Ao jogar "que careta estou fazendo?", faça diversas caretas exageradas para os estudantes e peça que os alunos adivinhem que expressões você está fazendo.

Crianças do ensino fundamental

Para crianças do ensino fundamental, escolha jogos socializantes que as ensinem a trabalhar juntas. Jogos que fazem com que as crianças participem de diversas atividades diferentes são uma excelente opção. Por exemplo, o clássico jogo de charadas permite que as crianças aprendam e pratiquem comunicação não verbal enquanto tentam decifrar as pistas dadas pelo "ator". Outros jogos para crianças dessa faixa-etária são aqueles que permitem que elas sejam "donas" de um estabelecimento no qual definem os preços e interagem com seus "clientes".

Jogos esportivos disputados em times

Atividades disputadas em equipe oferecem a crianças de todas as idades a oportunidade de desenvolver espírito desportivo, além de promover o aprimoramento de habilidades sociais. Através de demonstrações de respeito pelos adversários e de encorajamento, professores e treinadores podem usar o esporte para ensinar os alicerces do que é ser um bom vencedor ou perdedor. Atividades disputadas por times também são uma poderosa ferramenta para ensinar os pequenos a resolver conflitos, ensinando-os a superar os desentendimentos que podem ocorrer em quadra devido a diferenças de comunicação.

Crianças mais velhas

Quando estiver trabalhando habilidades sociais com crianças mais velhas, escolha jogos com métodos mais avançados. Por exemplo, crie "conversações triangulares" onde três alunos são colocados juntos. Nesse triângulo, um dos alunos é o orador, um é o ouvinte e o outro é o observador. Providencie temas predefinidos para discussão e deixe cada triângulo trabalhar em seu desenvolvimento. Enquanto o orador e o ouvinte participam ativamente do processo de comunicação, o observador pode analisar atentamente como os dois aspectos da socialização, falar e ouvir, são desempenhados

http://www.ehow.com.br/jogos-ensinam-criancas-socializar-info_5730/